A série baiana ‘AYÔ’ vai ganhar as telas internacionais antes mesmo de sua estreia comercial no Brasil. Criada e roteirizada pelo ator e artista baiano Lucas Oranmian, a produção foi selecionada para dois festivais no exterior: o Seriesly Berlin, na Alemanha, e o New York Latino Film Festival, nos Estados Unidos, ambos realizados em setembro.
Com seis episódios, a obra acompanha um jovem ator negro, homossexual e soteropolitano que tenta equilibrar os desencontros amorosos e as dificuldades da carreira artística em São Paulo. A produção tem direção geral de Yasmin Thayná e reúne no elenco nomes como Lázaro Ramos, Caio Blat, Breno Ferreira, Tânia Toko e Aretha Sadick.
Antes da chegada ao circuito internacional, AYÔ já passou por importantes eventos no Brasil, entre eles o Festival do Rio, o MixBrasil e o Panorama Internacional Coisa de Cinema.
Para Lucas, a história nasceu de experiências pessoais e mistura realidade e ficção. “É uma autoficção, então tem muito da minha vida, das minhas experiências amorosas e profissionais, mas tem ficção também”, explica o roteirista em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia.
A ideia surgiu de uma inquietação profissional. Como ator, Lucas conta que sentia falta de encontrar personagens negros vivendo histórias mais próximas do cotidiano, sem que suas trajetórias fossem necessariamente marcadas por conflitos ligados à raça.
“Eu trabalho há anos como ator e sentia falta de projetos em que eu interpretasse personagens que tivessem uma vida mais comum e tranquila, algo que parece simples, mas para atores negros é quase subversivo ainda hoje”, afirma.
O projeto também representa um marco pessoal para Lucas, que estreia como roteirista com a série. A experiência de transformar vivências próprias em ficção acabou dando origem ao universo de ‘AYÔ’, que aborda temas como identidade, liberdade e desejo a partir da perspectiva de um artista baiano.
A circulação internacional também tem um significado especial para o criador. “Vai ser lindo levar o axé brasileiro da nossa história pra esses festivais. Nova York é minha cidade favorita no mundo depois de Salvador, e Berlim é um lugar que eu sempre quis conhecer pelo valor que dão à arte e às pessoas da comunidade LGBTQIAP+”, diz.
Para o produtor Gabriel Bortolini, a seleção representa mais uma conquista para uma narrativa que nasceu na Bahia e agora amplia seu alcance. “Ver essa história estreando internacionalmente (…) representa para nós mais uma barreira sendo vencida”, destaca.
As exibições estão previstas para setembro, enquanto a estreia comercial de AYÔ no Brasil ainda será anunciada.