A Justiça do Reino Unido determinou nesta sexta-feira (21) que o príncipe Harry, o cantor Elton John e os demais autores de uma ação conjunta desembolsem cerca de 9,5 milhões de libras (o equivalente a R$ 66,8 milhões) para cobrir os custos processuais da Associated Newspapers, editora responsável pelo tabloide Daily Mail.
A cobrança é um desdobramento direto da derrota sofrida pelo grupo em julho, quando o juiz Matthew Nicklin rejeitou integralmente o processo movido contra o veículo de comunicação.
A ação acusava a empresa de cometer violações de privacidade e usar métodos ilegais, como o suposto grampeamento do telefone do duque de Sussex, para obter notícias de celebridades entre o início dos anos 1990 e a década de 2010.
No despacho desta sexta, o magistrado estipulou que os derrotados devem arcar com os custos da editora sem que a companhia precise comprovar que os valores foram proporcionais ou razoáveis.
Nicklin criticou duramente a postura dos autores durante o litígio, afirmando que as graves acusações foram construídas sobre bases “especulativas e dedutivas”. Para o juiz, a forma como o caso foi conduzido fugiu da normalidade e configurou uma conduta “nada razoável”.
Disputa financeira
A defesa da editora, encabeçada pelo advogado Antony White, sustentou que o processo se tornou excessivamente caro justamente porque os autores fizeram acusações sérias sem apresentar provas.
A Associated informou ao tribunal ter acumulado despesas jurídicas na casa dos 34,5 milhões de libras (cerca de R$ 243 milhões).
O montante exigido foi rebatido por Nicholas Bacon, advogado de Harry e Elton John, que classificou a conta como “absurda” e muito superior ao orçamento acordado. Atualmente, os acusadores contam com uma apólice de seguro de apenas 16 milhões de libras para cobrir as despesas da ação.
Enquanto o príncipe não se manifestou sobre a nova decisão, um porta-voz da editora comemorou a resolução judicial, chamando-a de “vitória esmagadora”.
A empresa, que também publica o Mail on Sunday, defende que suas matérias sempre foram baseadas em fontes legítimas, incluindo o convívio social dos famosos, e classificou as denúncias ao longo do processo como “calúnias”.
Histórico de embates e desgaste emocional
A batalha judicial gerou enorme desgaste na relação entre a realeza e a imprensa. Em 2023, Harry quebrou um longo protocolo e se tornou o primeiro integrante da monarquia britânica a depor em juízo em 130 anos.
Em janeiro deste ano, os interrogatórios provocaram discussões acaloradas entre o príncipe e o advogado da editora. Harry precisou negar reiteradamente que as informações publicadas vazavam por meio de seus amigos.
“Para que não haja dúvidas, não sou amigo de nenhum desses jornalistas e nunca fui”, declarou na época, enfatizando que seu círculo social não era composto por “vazadores”.
Durante o depoimento, o filho do rei Charles lutou contra as lágrimas ao expor o sofrimento familiar causado pelo assédio midiático. O príncipe argumentou que procurava apenas responsabilização e um pedido de desculpas por parte do tabloide.
“É uma experiência horrível e o pior é que, ao me manifestar contra eles, eles continuam me perseguindo”, desabafou Harry. Com a voz embargada, ele completou afirmando que o jornal transformou a vida de sua esposa, Meghan Markle, em “um verdadeiro inferno”.