A morte de Laura Cardoso, confirmada na noite de ontem, encerra a trajetória de uma das maiores pioneiras da televisão brasileira. Mais do que a vasta contribuição à dramaturgia, a atriz deixa como marca registrada a sua paixão visceral pelo ofício e uma recusa constante à ideia de interromper a carreira.
Sempre incisiva quando o assunto era parar de trabalhar, a artista repudiava qualquer menção à aposentadoria. Durante uma participação no programa “Conversa com Bial”, em 2020, ela foi enfática ao reagir ao tema: “Não, não, não! Não fala em aposentadoria. Você morre! Você para tudo. Não, não”.
Essa vitalidade e aversão ao ócio já haviam sido destacadas um ano antes, em 2019, na produção As Vilãs que Amamos. Na ocasião, Laura fez questão de afastar de si os estereótipos associados à terceira idade. “Nunca que quero me aposentar e fazer tricô, já falei 500 vezes, não sou a velhinha que faz tricô, sou um demônio, quero trabalhar, interpretar, fazer mil vidas”, cravou.
Ainda que soubesse fazer atividades manuais, ela deixava claro que seu palco era outro. “Até sei fazer tricô, mas não, ficar quietinha, não. Não posso viver sem trabalhar, sem me imaginar fazendo teatro, TV, cinema, não consigo, aí eu morro”, explicou a veterana na época.
Detentora de um contrato vitalício com a TV Globo, Laura Cardoso estava longe do ritmo intenso das gravações de novelas desde 2019, ano em que interpretou a personagem Matilde Azevedo na trama A Dona do Pedaço.
Apesar do afastamento dos folhetins, a relação com a emissora seguiu ativa até o fim. Sua última grande aparição oficial ocorreu recentemente, em outubro de 2025.
Naquele mês, a atriz compareceu pessoalmente aos Estúdios Globo para inaugurar a sua própria estrela na Calçada da Fama do canal, aproveitando a ocasião para gravar sua participação na tradicional vinheta de fim de ano da empresa.