Restaurante de Salvador cria prato inspirado na obra de Myriam Fraga durante a Flipelô

Restaurante de Salvador cria prato inspirado na obra de Myriam Fraga durante a Flipelô

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com
Publicado em 04/08/2026 às 10:05 / Leia em 2 minutos

O Restaurante Gero Salvador preparou um prato exclusivo para a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que acontece entre os dias 5 e 9 de agosto. A criação integra a Rota Gastronômica do evento, que neste ano homenageia a escritora baiana Myriam Fraga.

Assinado pelo chef Bahia Brito, o prato foi inspirado no poema Azul e combina filé de peixe defumado na brasa, purê de banana-da-terra e farofa de castanhas, em uma releitura gastronômica da obra da autora.

A homenagem coincide com o lançamento de “Tem cardume no meu aquário”, novo livro infantil de Myriam. A publicação reúne poemas inéditos dedicados à bisneta da escritora e traz ilustrações do artista visual Léo Dantas.

Confira o poema:

Azul

 

Volto ao azul.

Regresso ao não buscado,

Ao nunca visto,

Sequer jamais sonhado.

 

Volto ao azul,

 

Ao derradeiro anseio

Do esperado,

Navegante a navegar

No rumo dos contrários.

 

As ilhas, sempre as ilhas…

 

E o ignorado porto,

Desfeito, arremessado

Pelas marés do tempo

Ao enigma do outro lado.

 

Volto ao azul.

 

No abismo da memória,

Invento os passos

Da criança que fui,

Outrora, em alguma parte.

 

Perto era o mar e, em volta,

O escuro… E meu cansaço.

Por que não me tomavam

Ao colo e me afagavam?

 

Por que não escutavam

Aquela voz que se perdia

Num choro que implorava?

 

Perto era o mar…

 

E o mar sempre será

Minha rota

E meu naufrágio,

 

Meu destino de pássaro,

Gaivota a mergulhar

Em busca do improvável

 

Porto onde nasci

E onde plantei a infância

E algumas mágoas.

 

Quando perto era o mar

E, ao marulho das ondas,

A noite se fechava

Como ostra na concha.

 

Volto ao azul…

 

À linha de arrecifes,

Que separa o perau

Das águas calmas.

 

Na transparência

Sem fim, avisto o peixe

Que rápido se afasta,

 

Um delfim encantado,

Sereno, a desenhar

Na opulência das vagas

A linha que o define,

 

Do vermelho encarnado

Às escamas prateadas,

O peixe,

Apenas um detalhe.

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