Um bebê prematuro de apenas 1,4 kg teve a vida salva após ser submetido a um procedimento inédito na Bahia. A intervenção, realizada por uma equipe multidisciplinar, utilizou uma técnica por cateter para corrigir uma cardiopatia congênita, evitando uma cirurgia de grande porte e marcando um avanço para a medicina no estado.
A intervenção foi realizada no Hospital Mater Dei Salvador com o uso da prótese Piccolo, desenvolvida para pacientes com menos de 2 kg.
Natural do interior do estado, o bebê nasceu com apenas 26 semanas de gestação e 1,1 kg. Inicialmente, foi submetido a dois ciclos de tratamento medicamentoso, mas o canal arterial permaneceu aberto. Após avaliação multidisciplinar, a equipe médica optou pelo fechamento por cateter.
O procedimento foi conduzido pela equipe de Hemodinâmica Congênita, liderada pela médica Cauyna Moreira, sem intercorrências. O recém-nascido apresentou boa evolução clínica, ganhou peso e tem alta hospitalar prevista para esta semana.
O canal arterial é uma estrutura normal durante a gestação, responsável por desviar o fluxo sanguíneo enquanto os pulmões do feto ainda não funcionam plenamente. Após o nascimento, ele costuma se fechar espontaneamente nas primeiras horas de vida. Em prematuros, porém, esse fechamento pode não ocorrer, provocando sobrecarga no coração e nos pulmões. A persistência do canal arterial é considerada a cardiopatia congênita mais frequente entre bebês prematuros.
Quando o tratamento com medicamentos não é eficaz, os especialistas avaliam alternativas como cirurgia ou cateterismo. A escolha depende de fatores como peso do bebê, gravidade do quadro e riscos do procedimento.
Embora o fechamento do canal arterial por cateterismo já seja consolidado em adultos e crianças, sua realização em prematuros extremos representa um desafio técnico devido ao baixo peso e à fragilidade dos pacientes. Nesses casos, a persistência do canal pode levar a complicações graves, como necessidade de intubação prolongada e uso contínuo de medicamentos para manter o equilíbrio da circulação sanguínea.
Para a realização do procedimento, o bebê foi transferido por UTI aérea para Salvador. O atendimento envolveu uma equipe multiprofissional composta por especialistas das áreas de Cardiologia Pediátrica, Neonatologia, Hemodinâmica Congênita, Ecocardiografia Pediátrica e Fetal, Anestesiologia e Cirurgia Cardíaca Pediátrica.