A Petrobras anunciou um reajuste nos preços da gasolina vendida às distribuidoras a partir desta sexta-feira. O aumento será de R$ 0,48 por litro, equivalente a uma alta de 18,6%, marcando a primeira elevação do combustível pela estatal desde 2024.
Apesar do reajuste expressivo, o impacto imediato para as distribuidoras será reduzido por causa de um subsídio federal. O governo decidiu bancar um desconto de R$ 0,44 por litro, fazendo com que o aumento efetivo fique em apenas R$ 0,04 por litro.
Com isso, o preço médio da gasolina A, combustível puro produzido pelas refinarias e sem adição de etanol, passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro.
Segundo a Petrobras, o efeito para o consumidor tende a ser ainda menor por causa da composição da gasolina C, combustível vendido nos postos brasileiros e formado por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro.
Nesse caso, a participação da Petrobras no preço final subirá de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, o que representa um impacto máximo estimado em R$ 0,03 nas bombas.
Mesmo assim, o reajuste não chega imediatamente ao consumidor. Após sair das refinarias, o combustível ainda passa pelas distribuidoras e pelos postos, que podem decidir se vão ou não repassar integralmente a alta ao preço final.
A Petrobras não reajustava a gasolina desde 2024. Desde então, a companhia havia promovido cortes sucessivos nos preços: redução de 5,4% em julho de 2025, 5% em novembro de 2025 e mais 5,2% em janeiro de 2026.
O aumento já vinha sendo sinalizado pela presidente da estatal, Magda Chambriard. Em conferência realizada no dia 12 de maio para comentar o balanço do primeiro trimestre, ela afirmou que um reajuste seria anunciado em breve.
A decisão ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional. Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o barril do Brent subiu 36,2%, passando de US$ 72,48 para US$ 98,74.
A alta é atribuída principalmente às tensões envolvendo o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Os reflexos já vinham sendo sentidos pelos motoristas brasileiros antes mesmo do reajuste anunciado pela Petrobras. Dados da ANP mostram que a gasolina acumulava alta de 5,4% nos postos desde o início do conflito no Oriente Médio.
O preço médio do litro passou de R$ 6,28 para R$ 6,62, aumento de R$ 0,34.
Para tentar conter um avanço ainda maior nos preços, o governo federal editou uma Medida Provisória criando uma subvenção de até R$ 0,8925 por litro de gasolina. O benefício será direcionado a refinarias, produtores e importadores.
A Petrobras informou que a adesão ao programa é compatível com sua estratégia comercial e afirmou seguir comprometida com uma atuação “responsável, equilibrada e transparente”.
Mesmo com o reajuste, a Abicom, associação que representa importadores de combustíveis, afirma que os preços praticados pela estatal ainda estão defasados em cerca de 55% em relação à paridade internacional. Segundo a entidade, a diferença média chega a R$ 1,15 por litro.