Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para filme de Bolsonaro, diz Intercept

Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para filme de Bolsonaro, diz Intercept

Redação Alô Alô Bahia

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Ana Paula Paiva/Valor e Adriano Machado/REUTERS

Publicado em 13/05/2026 às 16:11 / Leia em 3 minutos

Flávio Bolsonaro chegou a afirmar, meses atrás, que o caso envolvendo o Banco Master estava “longe de chegar perto da direita”. Agora, documentos e mensagens obtidos pelo The Intercept Brasil revelam uma realidade bem diferente e apontam para uma negociação milionária ligada diretamente à família Bolsonaro.

Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (13), Flávio enviou uma mensagem ao banqueiro Daniel Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do empresário, investigado por operar um esquema de fraude que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador pelo WhatsApp.

De acordo com os documentos obtidos pelo Intercept, Vorcaro teria se comprometido a repassar 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

Os registros indicam que ao menos 10,6 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 61 milhões, já haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências relacionadas ao projeto cinematográfico. Entre os materiais obtidos pelo veículo estão cronograma de desembolso, comprovante bancário e cobranças referentes às parcelas previstas. Não há, porém, evidências de que os demais pagamentos tenham sido concluídos.

Ainda segundo a reportagem, a negociação envolvendo Vorcaro teria sido conduzida diretamente por Flávio Bolsonaro e contado também com a participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro.

O conteúdo divulgado pelo Intercept contrasta com declarações anteriores do próprio Flávio. Em março deste ano, após vir à tona que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, havia doado R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, o senador afirmou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.

Na mesma ocasião, ele declarou que a “conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”. Dois dias antes, durante evento de pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, Flávio classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Nesta quarta-feira (13), questionado presencialmente pelo Intercept sobre o suposto financiamento do filme, Flávio respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, segundo o veículo, deu uma gargalhada e deixou o local onde concedia entrevista próximo ao Supremo Tribunal Federal. Também procurado por telefone, WhatsApp e e-mail, o pré-candidato à Presidência da República não respondeu. A defesa de Daniel Vorcaro também foi acionada e não se manifestou. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias igualmente não responderam aos questionamentos enviados pelo Intercept.

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