Após enfrentar um burnout que o obrigou a desacelerar, o ator e diretor Lázaro Ramos afirma ter aprendido a selecionar melhor seus projetos e também a dizer “não”. A mudança de postura chega em um momento movimentado da carreira, com novos trabalhos no cinema, televisão e projetos autorais em desenvolvimento.
Segundo ele, o esgotamento foi resultado de anos tentando equilibrar atuação, produção e direção, ao mesmo tempo em que buscava ampliar espaços e representações no audiovisual brasileiro. “Estou me movimentando com mais saúde. O burnout foi consequência. Sou ambicioso, obstinado, consciente das mudanças que minha presença na cultura provocou”, afirmou no “Conversa Vai, Conversa Vem”, videocast do jornal O Globo, que será disponibilizado nesta quarta-feira (11), às 18h, no YouTube e no Spotify.
Ramos explica que o desgaste também veio do choque entre sua visão artística e as lógicas de mercado. Ao tentar ocupar posições de decisão na indústria, percebeu barreiras que ainda atravessam o setor. “Defendo a pesquisa da nossa identidade. E, aí, foi vindo a frustração. Tem um componente racial também”, diz.
O ator relata que enfrentou dificuldades ao tentar ampliar sua atuação nos bastidores do audiovisual. “Quando quer ocupar determinados postos, acaba chegando num limite que não dá para transpor. É mais difícil vender ideias, comprovar competência. Ainda hoje acontece”, diz.
A rotina intensa acabou cobrando seu preço. “Fui continuando, criando, não dormindo, não comendo… Veio o burnout”, lembra. A recuperação, segundo ele, veio ao reencontrar o prazer de atuar e escolher projetos alinhados ao que deseja comunicar. “A cura chegou ao entender que tenho que fazer aquilo pelo que sou apaixonado e acredito profundamente. Voltei para a carreira de ator com alegria, dizendo muitos ‘não’ e ‘sim’ para o que acho que as pessoas precisam ouvir de mim agora.”
Nos últimos anos, Ramos também decidiu ampliar o escopo de temas abordados em entrevistas, evitando ser reduzido apenas ao debate racial. “Teve uma hora que comecei a não falar. Ou se falar, é porque quero”. Segundo ele, muitas reportagens o restringiam a um único tema, ignorando outras dimensões de sua trajetória. “Hoje, luto contra o caça-clique… A gente precisa ter coragem de ser mais complexo”, afirma.
Para o ator, a cultura pode funcionar como antídoto para um mundo acelerado e superficial. “Cultura é bom para a alma, saúde, inteligência, reflexão. Precisamos aprofundar as coisas, e essa vai ser minha missão”.
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