Entrevistas


07 Nov 2017

Alô Alô Bahia entrevista Tia Má

Maíra Azevedo, mais conhecida como Tia Má, é uma jornalista e youtuber baiana que tem ganhado cada vez mais destaque com os seus conselhos e ensinamentos aos seus 'sobrinhos e sobrinhas' - maneira carinhosa como se refere aos fãs, onde usa o humor para transmitir mensagens de combate a qualquer tipo de opressão e preconceito. Em entrevista ao Alô Alô Bahia, batemos um papo com Tia Má sobre preconceito, internet, sucesso e muito mais. Confere só.
 


Alô Alô Bahia: Como foi a experiência de trabalhar como roteirista do ‘Vai que Cola’, programa do Multishow?
 
Tia Má: A experiência de ser roteirista do Vai que Cola foi um convite que partiu de Jout-Jout, no início do ano. Ela estava responsável por montar a equipe e, daqui da Bahia, eu e Alan Miranda fomos convidados, foi algo indescritível. Eu tive a experiência de criar histórias, algo que eu nunca tinha feito, então eu vivi esse outro lado de mexer com a imaginação das pessoas. Tive que desafiar a minha criatividade.
 
Alô Alô Bahia: Quais são os próximos passos da Tia Má? 
 
TM: Atualmente, sou a primeira mulher negra no Brasil a ter um stand up, que é o “Tia Má com a língua solta” e, além deste projeto, criei um novo produto, o “De Cara com Tia Má”. É uma mistura de stand up com talk show onde eu falo sobre situações de preconceito, situações que causam constrangimento, e entrevisto algumas personalidades e pessoas da plateia. Além de continuar como parceira do Encontro com Fátima Bernardes.
 
Alô Alô Bahia: Qual a foi a maior lição que o seu trabalho como jornalista e youtuber já te ensinou?
 
TM: Não sei se teve algo específico que eu pudesse dizer que eu tive uma lição. Eu já era jornalista antes, porém, com a visibilidade do Youtube meu trabalho ficou mais em evidência, então, pelo fato de eu ser negra, termino sendo alvo constante de preconceituosos que acham que podem colocar seu racismo para fora. Mas eu sempre digo: para o racismo, a lei, porque racismo é crime. Quando eu decidi ser jornalista, sabia que a questão da cor da minha pele e dos meus traços negroides iriam ser levados em conta também, então, algo que eu aprendi foi a nunca deixar de levar em consideração a minha ancestralidade, minha negritude e minha religiosidade na hora de escrever uma matéria ou gravar um vídeo.
 
Alô Alô Bahia: Você conta em suas apresentações sobre a fase da sua infância em que você usou um produto no cabelo para alisá-lo, e que acabou não dando muito certo, e isso mostra o quanto os padrões de beleza podem ser perversos algumas vezes. O que é beleza pra tia Má?
 
TM: Beleza, para mim, é a pessoa se sentir bem. Sei que parece clichê mas, por exemplo, eu sou uma mulher completamente fora dos padrões, mas eu gosto de mim. É claro que tem dias que eu acordo e digo “Que p**** é essa?”, e sinto vontade de mudar. Mas tem dias que eu acordo e digo “Que p**** é essa?” e me acho muito linda, apesar de reconhecer as minhas imperfeições. Tem dias que eu olho pra mim e eu me amo de tal forma que eu queria que o mundo todo tivesse o privilégio de nascer parecido comigo. Hoje, inclusive, eu tenho muita dificuldade de entrar na academia porque eu tenho medo de estar fazendo isso pelas outras pessoas, e não por mim. Não quero ser padrão e nem me tornar alguém que vive para satisfazer as outras pessoas.
Eu me acho uma mulher linda porque eu sou uma mulher consciente dos meus poderes e dona de mim.
 
Alô Alô Bahia: Qual você acredita que seja o papel da internet no combate ao racismo, machismo e LGBTfobia?
 
TM: Com a minha visibilidade, eu compreendi que tinha a obrigação de despertar nas pessoas a importância de, minimamente, refletir sobre como as diversas formas de discriminação impactam a nossa sociedade. Até porque o preconceito, quando não mata na bala, mata simbolicamente, a partir do momento que dizem que a gente é feia, que nosso cabelo é duro, quando retratam o gay de forma pejorativa e caricata. Então, eu fui percebendo que tinha a obrigação de usar a minha visibilidade e colocar à disposição da luta contra a opressão. Acho que a internet, como um espaço que pauta a vida em sociedade, precisa trazer à tona essas demandas para que as pessoas reflitam e sejam orientadas para a desconstrução do preconceito.
  
 
Alô Alô Bahia: O que você acredita que é essencial para que a gente passe a viver em um mundo sem tantos preconceitos e desigualdades?
 
TM: A educação é fundamental. Eu quero crer que, quando todas as pessoas tiverem o mesmo acesso e a mesma qualidade de educação, com as mesmas oportunidades, a gente vai conseguir mudar muita coisa. Sei que isso é sonho, mas eu creio que um dia será real.
 
Alô Alô Bahia: Quem são as pessoas que te inspiram na vida?
 
TM: Não tem como não ser clichê, as pessoas que me inspiram na vida são minha mãe e meu filho. Na verdade, eu tenho admiração por várias pessoas que, em sua maioria, não são famosas. Eu admiro as pessoas reais que lutam contra as adversidades do dia a dia. Admiro uma mulher que é empregada doméstica e consegue sobreviver com um salário mínimo. Admiro alguém que, mesmo com tudo dando errado, consegue sorrir. São essas pessoas que eu admiro e que me incentivam a seguir em frente.
 
Alô Alô Bahia: Você se considera uma pessoa realizada? O que é sucesso pra tia Má?
 
TM: Eu me considero uma pessoa realizada porque eu vivo contra as estatísticas. Sou uma mulher preta, gorda, candomblecista, nordestina e tinha tudo pra não ser vista. Porém, muito antes do advento da Tia Má inclusive, quando eu tinha 11 anos já dizia que ia ser jornalista e, hoje, consegui me formar na profissão, trabalhar e me sustentar na minha profissão, me tornei uma profissional conhecida e respeitada na cidade, então sempre me senti realizada por conta disso e sempre me senti uma pessoa de sucesso também.
 
Alô Alô Bahia: E felicidade?
 
TM: É estar aqui em casa com meus amigos comendo uma mariscada, ter meu filho perto de mim, ter minha mãe em paz, ter minha irmã de santo fazendo uma comida gostosa.  Isso, pra mim, é felicidade.
 
 
Alô Alô Bahia: Se pudesse ser lembrada pelos seus ‘sobrinhos e sobrinhas’ apenas por uma coisa, qual seria?
 
TM: Quero ser lembrada por ser alguém que não desistiu, por ser alguém que, mesmo com todas as formas de opressão, seguiu em frente e não permitiu que o racismo me derrubasse. Quero ser lembrada por ser alguém que lutou contra a homofobia. Mas também quero ser lembrada por ser alguém que sorriu e que foi muito feliz. Quero ser lembrada por ter sido alguém que gozou a vida, literalmente, em todos os sentidos. Rs
 
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Bate-bola
 
Preconceito
Ignorância e perversidade
 
Fama
Nem todo mundo que tem se deslumbra
 
Humor
Essencial para a sobrevivência
 
Respeito
Condição de se colocar no lugar do outro
 
Uma dica da tia Má
Tira o sapatinho e bota o pé no chão.
 
 
Foto: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia

30 Out 2017

Capa Marie Claire de novembro, Pabllo Vittar fala sobre sua trajetória surpreendente

Capa da Marie Claire de novembro, Phabullo Rodrigues da Silva, 23 anos, em São Luís (MA), disse em entrevista que é um “menino gay e drag queen”, que não tem a menor vontade de passar por uma cirurgia de redesignação sexual. Pabllo Vittar, então, é como se fosse seu alter ego. O adolescente “afeminado e com a voz fina” cansou de ouvir que nada do que faria daria certo e hoje diz sentir orgulho da carreira e de poder ser um exemplo de representatividade. Confira trechos da sua entrevista para a revista em que a artista fala sobre a sua trajetória surpreendente.

Quando entendeu que queria ser cantora?
Nasci em São Luís e morei a infância toda no Pará. Aos 16, fui para Indaiatuba, cidade no interior de São Paulo, tentar começar uma carreira artística, mas não consegui nada como cantora. Para me virar, trabalhei em fast-foods e salões de beleza e, depois de dois anos, me mudei para Uberlândia com minha família, onde estou até hoje. Lá fiz as primeiras apresentações como drag. Foi então que conheci meu empresário e meu produtor e, no ano seguinte, gravei as primeiras músicas.

Você já ficou com mulher?
Nunca tive namoradinha, não faz meu estilo, desde criança. Contei para minha mãe que era gay aos 15 e nem surpresa ela ficou. Sempre me apoiou – aliás, a família inteira, minhas irmãs também. Meu pai biológico não conheço.

Tem vontade de mudar algo em seu corpo?
Não quero mudar nada. Se eu tivesse nascido uma pessoa trans, você acha que já não teria mudado tudo e estaria por aí, linda? Só aprendi na prática que preciso me cuidar para ficar disposta. Antes não me alimentava direito e tinha uma vida sedentária. Quando o ritmo de shows apertou, vi que comer e dormir bem faz toda a diferença para dar conta da agenda corrida.

Que cuidados tem no dia a dia?
Odeio ir para a academia, mas malho dia sim, dia não, nos quartos de hotel mesmo. e como o básico, privilegio proteínas e vegetais em vez de carboidrato. Não é sempre que consigo, mas tento!

Você não fica intimidado de postar fotos desmontado, como Phabullo?
Fico nada, eu amo. Me acho bonito pra porra!

O que mais gosta no corpo da Pabllo?
Amo minhas pernas! Malho muito a perna e a bunda desde sempre, porque fiz balé clássico. Vou colocá-las no seguro [risos].

E o que mais gosta no corpo do Phabullo?
Da barriga! Amo usar top cropped, amo calor e pouca roupa.

Além do aspecto físico, como o Phabullo é diferente da Pabllo?
Com a Pabllo me sinto forte. Consigo colocar meus sentimentos para fora e, ao mesmo tempo, me sinto protegida, como se meu alter ego fosse um escudo. Já o Phabullo é mais tímido. Só tenho uma vida e quero ser quantas pessoas quiser. As pessoas vivem conformadas, às vezes presas em suas cabecinhas. Ver tanta gente morrendo e sofrendo com intolerância e ódio só me faz ter mais vontade de viver, experimentar e lutar pelas coisas em que acredito.

Foto: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia

23 Out 2017

Isaac Edington faz balanço da Maratona Cidade de Salvador

Aconteceu na manhã deste domingo, 22, a Maratona Cidade de Salvador, com 3.500 participantes. O evento marcou a entrada de Salvador na rota do turismo esportivo mundial com uma programação que mesclou esporte e lazer na orla da capital baiana. O Alô Alô Bahia conversou com Isaac Edington, Presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), para saber mais detalhes sobre os resultados do evento. Confere só.


Alô Alô Bahia: Qual a avaliação o senhor faz sobre a primeira edição da Maratona Cidade de Salvador?
 
Isaac Edington: Extremamente positiva, obtivemos um engajamento importante dos atletas logo no primeiro momento que apresentamos a prova aos profissionais, técnicos e clubes de corrida. A aderência foi total. Fizemos um trabalho forte de comunicação e contamos com a parceria da Federação Bahiana de Atletismo – FBA com toda a parte técnica, juntamente com técnicos do setor de corridas da cidade. Contamos com apoio importante de todos os órgãos municipais A exemplo da Secretaria de Esportes, TRANSALVADOR, SEMOP, Guarda Municipal, SEMOB, SEC SAÚDE, Defesa Civil, Secretaria de Infraestrutura, SUCOP, SEDUR, Casa Civil, entre outras e também, contamos com o apoio da PM, por meio do Esquadrão Águia e até um importante apoio do Exército.
 
Tivemos um público de 3.500 participantes, de mais de 80 cidades, oriundos de 16 estados brasileiros que representaram 30% dos participantes. Além disso, fizemos uma prova com todo rigor técnico, convidamos um consultor da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e medidor oficial da Federação Internacional, Rodolfo Ashley, no sentido de fazer avaliações para que no próximo ano a competição possa ser certificada e entrarmos definitivamente no calendário internacional de maratonas. Vale a pena ressaltar que os resultados da prova da Maratona (42k) já nesta primeira edição são válidos para o Ranking Brasileiro de Maratonas, já que o percurso da Maratona foi aferido por medidor credenciado pela CBAt, se tornando assim uma Maratona Oficial no calendário nacional.
 
E ao mesmo tempo, tivemos uma prova com a cara de Salvador, com muita música, em quatro diferentes pontos da competição quatro grupos diferentes surpreendiam os atletas, Fred Dantas, Malê, o grupo Wadô com seus tambores e o DJ Santz. Um percurso todo ao lado do mar em nossa belíssima orla. E ao final tivemos FitDance e, em seguida, todos foram brindados com o show do Alavontê.
 
E aí comento, nenhuma Maratona do mundo termina assim, com tanta alegria e descontração, só em Salvador.
 
Alô Alô Bahia: Qual o senhor acredita que tenha sido a importância da Maratona para a capital baiana?
 
IE: Demos um passo importante no fortalecimento da nossa plataforma de eventos. A Maratona pode, em breve, se transformar talvez no terceiro produto da cidade ficando atrás apenas de carnaval e réveillon.
 
O Turismo esportivo é um fenômeno no mundo inteiro. Cada vez mais e mais pessoas se deslocam para outras cidades, estados e outros países para participar de competições de rua. Estamos de olho nesse mercado. Essa não é simplesmente uma corrida. É um evento que gera desenvolvimento econômico e promove a cidade. Além do mercado interno, cada competidor de fora traz consigo duas, três, quatro pessoas, consomem em nossos bares e restaurantes, usam nossa rede hoteleira, visitam nossos pontos turísticos, fazem compras, consomem, geram divisas para a cidade. Por isso esse tipo de evento está em nossa estratégia de desenvolvimento.
 
Alô Alô Bahia: Já existe a pretensão de realizar uma próxima edição?
 
IE: Estaremos, em breve, divulgando a data de 2018. Agora, Salvador entra definitivamente no clube de cidades do Brasil e do mundo que possuem a sua maratona. Alô Alô Bahia e “Maraturistas” comecem a treinar, a Maratona 2018 vem aí!
 
Foto: Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia

 

 


17 Out 2017

Andrea Velame é a entrevistada da semana. Vem ver!

O Alô Alô Bahia bateu um papo por e-mail com Andrea Velame. A empresária, que está aniversariando nesta terça-feira (17), nos contou tudo sobre os inúmeros projetos nos quais ela está trabalhando atualmente e falou sobre planos futuros também. E olha... é novidade que não acaba mais. Confere só!
 
Alô Alô Bahia: Quais são os novos projetos profissionais que você está trabalhando atualmente?
 
Andrea Velame: Lá vai...
 
A revista Conceito AV completa 10 anos e faremos uma edição ESPECIAL, com um novo projeto gráfico e muitas novidades. Também estamos produzindo um Editorial de Moda com 11 meninas que representarão as Musas Paradoxus 2018, um trabalho apaixonante com uma linguagem Dolce Gabanna, além de um editorial de moda com "meninos" que será fotografado na casa de Marlon Gama e que promete movimentar a cidade.
 
Também estamos produzindo a terceira edição anual da revista do Circuito de Alta Decoração, que será lançada em novembro, e a segunda edição da revista da Neoenergia, que circula na Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A grande novidade também é o lançamento da revista Hammer, um projeto cool e muito descolado.
 
Vem por aí também a Edição do livro Casas Conceito, que será lançado em dezembro junto a revista Conceito AV. Um livro com a publicação de 35 projetos especiais de profissionais bacanas do mercado, será um luxo para 2017.
Também estou coordenando uma Mostra de Decoração na loja Coletânea Casa, que envolve 15 escritórios e será inaugurada em dezembro. Fiz toda a curadoria da mostra e a seleção do mix de produtos, além de estruturar toda a comunicação da empresa.
 
No próximo dia 24 estamos inaugurando a Maison Paradoxus, com um olhar fresh, com um novo conceito da moda contemporânea na Bahia. Fizemos a consultoria e a comunicação para nova loja, além da curadoria da linha CASA. E podem aguardar que vêm mais três eventos bastante especiais na cidade ainda em 2017. Ufa!
 
Alô Alô Bahia: Qual está sendo o mais desafiador? 
 
AV: O projeto mais desafiador no momento é conseguir tempo para realizar todos os meus compromissos com afinco, detalhe e perfeccionismo , marcas do meu trabalho.
 
Alô Alô Bahia: Qual o segredo para conseguir conciliar tantos projetos simultaneamente?
 
AV: Foco e muito planejamento, além de uma equipe comprometida e apaixonada por todos os projetos da nossa empresa. Vestimos a camisa e incorporamos o nosso DNA em cada planejamento dando a nossa melhor porção.
 
Alô Alô Bahia: De onde vem a energia e disposição para trabalhar 18h por dia?
 
AV: Paixão! Sou apaixonada pelo meu trabalho. E adoro ser uma fazedora, realizar é minha cachaça.
 
Alô Alô Bahia: E quais são os planos para 2018?
 
AV: Uma plataforma digital com publicações mensais e ampliar a estrutura para atender os clientes de pequeno e médio porte que necessitam de suporte para estratégias de comunicação e marketing.
 
 
Bate-bola
 
Uma viagem
Para qualquer lugar com a minha família
 
Um medo
Perder o meu dom de criar
 
Um sonho
Continuar me reinventando
 
Um sentimento que te define agora
ANSIEDADE
 
Andrea Velame por Andrea Velame
AMOR, sempre!
 
Fotos: Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia.
 

14 Out 2017

'Eu cheguei à alma das pessoas', diz Lenine em entrevista à TV Brasil

Com mais de 30 anos de carreira e 14 álbuns lançados, Lenine se define como um colecionador de palavras e revela que as raízes pernambucanas estão sempre presentes em seu trabalho. “A gente tem essa coisa no Nordeste com o repente e as diversas modalidades do repente, essa possibilidade de você ter a rima dentro da rima, dentro da rima. Então isso é muito fascinante. As palavras são 50% do meu trabalho”, disse no programa Conversa com Roseann Kennedy, que vai ao ar na próxima segunda-feira (16), às 21h30, na TV Brasil.

Ganhador de cinco prêmios Grammy Latino e nove Prêmios da Música Brasileira, Lenine é engajado em assuntos políticos e de cunho ambiental e diz que sente liberdade e independência para fazer sua própria leitura da história.

“Todas as minhas canções são crônicas. Todas as minhas canções são reportagens. A partir do meu olhar evidentemente. Então, isso tudo me dá a sensação de que eu estou, de alguma maneira, fazendo história, através do meu olhar. Eu fico achando que daqui a 100 anos alguém pegue um disco meu e consiga compreender um pouco como era o tempo onde eu vivia.”

Músico desde cedo
Ao relembrar o papel que a música ganhou desde cedo em sua vida, Lenine relata um episódio vivido na infância quando seu pai deu aos filhos o direito de escolher como se conectar com Deus. “A gente acompanhava a minha mãe à Igreja, ela ia à igreja todos os domingos, mas aos 8 anos de idade meu pai permitia aos filhos escolher que maneira se conectar com o divino. Ele dizia: 'Sua mãe prefere a igreja. Papai prefere a música. Vocês escolhem a partir de hoje.' Minha mãe perdeu todos os seus parceiros.” A partir daí, durante todo o tempo que durava a missa, a família ficava em casa ouvindo música. “Acho que isso foi a minha grande universidade, a minha grande escola de música, que era ouvir bastante.”

Sobre o atual momento vivido no Brasil e no mundo, Lenine diz ter esperanças de que as pessoas aprendam com os próprios erros. “Eu acho que a humanidade está precisando aumentar a turma do bem. Não é furo jornalístico as coisas que estão fazendo em benefício do ser humano. Só é furo jornalístico, o que dói, o que traumatiza, o que é morte. A gente está num momento com o país vivendo essa descrença generalizada, esse descrédito incrível entre os três Poderes. E isso dá uma angústia muito grande. Mas eu não sou desesperançoso, não. Acho que a gente tem possibilidade de aprender com os erros.”

Ferramenta de mudança
Lenine diz que percebe a música como um instrumento de transformação. “Eu procuro a cada dia melhorar como ser humano. E eu acho que melhorar significa ter paciência, ouvir o outro”, afirma. “Eu brinco dizendo que eu faço MPB - Música Planetária Brasileira. É tão bacana quanto compositor ver esse tipo de penetração, esse tipo de profundidade que a música me deu nas pessoas. Eu cheguei à alma das pessoas”.

Foto: Lucas Seixas/Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia